A tecnologia pode ser considerada umas das maiores influenciadoras de mudanças na sociedade, a rapidez com que as informações circulam e nos atingem é apenas um indicador sobre como vivemos de acordo com que é pautado por ela. Essa experiência acontece em inúmeros momentos, mas principalmente no lifestyle, a maneira como devemos nos comportar em sociedade, as redes sociais surgiram e como uma bomba eclodiram por todos os lados, o aplicativo Instagram é o principal indicador desse fenômeno.

A vida compartilhada em quadradinhos já tornou muita gente famosa, para os que já são celebridades é apenas mais uma maneira de manter os fãs por perto. Além de servir como uma plataforma de interação social, o aplicativo passou a ser utilizado como um meio de busca para basear o lifestyle, onde os padrões já impostos pela sociedade criaram outro nível de alcance, e que vença o melhor.

Mas o aplicativo não é utilizado apenas como uma troca de contato, é um meio alternativo para os negócios. Os blogueiros e afamados da internet utilizam os merchandisings em suas publicações para vender algum produto ou serviço. Este consumo vai além de um produto específico, em grande parte essas “pessoas comuns” servem como um espelho de inspiração. O conjunto de uma roupa, a cor do cabelo, o estilo da maquiagem, tudo pode ser copiado e tudo serve como uma inspiração. Os quadradinhos do Instagram estão cada vez mais parecidos.

Antigamente o objeto de espelho eram pessoas famosas e em alta na mídia, mas a tecnologia acabou trazendo novos rostos. É muito comum encontrarmos pessoas “normais” no Instagram que estão ditando o lifestyle. O fator proximidade torna tudo isso mais real e palpável, desenvolvendo uma ligação afetiva, onde o líder irá induzir, consciente ou inconscientemente, o modo como se deve viver e aqui se encaixam o modo de vestir, lugares para comer, o modo de falar, gírias, o modo de agir. Apesar da busca por referência ser muitas vezes inconsciente, livre e partir do indivíduo, ela restringe a liberdade de pensamento, ela bloqueia, de certa forma, um processo criativo e pessoal de quem copia, que deixa de ser quem é para viver o outro, a sub-celebridade.

Todos esses acontecimentos podem ser traçados com a necessidade do homem em usar o outro como molde. Em “Psicologia das massas e análise do eu” Freud utiliza às concepções de Gustave Le Bon que considera mais importante a inibição do intelecto ao aumento da afetividade, desta forma Freud acredita existir um desejo ligado ao corpo, onde aplica-se o conceito de libido. Nasce então a restrição do narcisismo, ou seja, a partir desta identificação com o próximo e a criação de um laço afetuoso, as pessoas projetam-se no líder onde estabelecem princípios como forma de um ideal.

Mas nada disso precisa ser visto como algo ruim, o mundo ainda está por trazer mais novidades do que pessoas comuns tornando-se celebridades, e aplicativos de celular que ditam o modo de vida. O segredo é medir como isso o influencia e o quanto você se deixa conduzir. Mas o principal aspecto dessa indução é que novas e boas ideias sejam plantadas no mundo, aqui entra não apenas o indivíduo influenciador mas também as empresas que estão usando essas sub-celebridades para disseminar ideias. Que elas sejam boas e melhorem o mundo.