Mais normal do que acompanhar o noticiário não há. Assim que acordamos estamos logo em busca de alguma tela que nos mostre os últimos acontecimentos, o Facebook passou a ser um dos principais canais de notícias, acredita-se que pela facilidade de acesso, pois as informações que correm pela rede social nem sempre são verdadeiras, outro dia Selton Mello fazia parte do elenco do seriado americano Game of Thrones.

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Um boato, apenas isso. E que foi tão levado à sério que portais de comunicação como UOL, Ego e Bandeirantes publicaram a “notícia” sem nem ao menos pesquisar sobre sua veracidade. É assim que funciona o jornalismo hoje em dia, na base da preguiça muitas vezes. As notícias que realmente são editadas, pesquisadas e aprofundadas parecem ter a ver apenas com a política de nosso país. Porque aí não se pode errar. O jornalista de hoje em dia já aprendeu a lidar com os comentários das redes sociais, na verdade nem jornalista essa pessoa é, mas sim especializada em comunicação e em acalmar os nervos de cidadãos com inúmeras opiniões.

Agora o mundo parece bem acostumado com toda a tecnologia, familiarizado com as redes sociais e buscando sempre se renovar. Os meios de comunicação demoraram um pouco para compreender, mas é assim mesmo, a internet muda tudo o tempo todo e as pessoas mudam junto com ela e nem percebem. Tanto é que o surgimento do Snapchat fez isso, expôs a vida de inúmeros cidadãos da noite pro dia e ninguém reclamou, pelo contrário, criou até gente famosa. Mas porque a demora em se adaptar?

As redações não são feitas apenas de pessoas com mais de 50 anos, esse não é o motivo caso você esteja pensando em usá-lo. Por incrível que parece formam-se jornalistas de 22 anos de idade, se haverá emprego já é uma outra incógnita. Mas o verdadeiro motivo é a cultura, sim sempre ela. Antigamente, muito antigamente, as notícias corriam nas cidades pelo boca a boca, a igreja era a fonte. Hoje em dia recebemos: o boletim matinal, ao meio dia um resumo do que aconteceu pela manhã e poucas coisas novas, no final da tarde o resumo do meio dia e outras notícias e de noite o resumo do dia inteiro e outras coisas importantes. O noticiário tornou-se então a religião do homem, não há como escapar, nem mesmo se você estiver em algum lugar sem sinal no celular, pode ter certeza que assim que possível as notícias estarão ao seu redor, prontas para atacar. Não adianta não querer saber.

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Sabemos realmente interpretar uma notícia? Ou apenas achamos que essa informação consumada está bem resolvida em nossa cabeça e seguimos em frente? O ser humano passa a maior parte de sua vida dentro de uma escola, estudando matemática, porque é importante, física, porque é importante, artes, porque é importante, mas a interpretação de texto é tão falha que uma simples notícia não faz nem cócegas no indivíduo. O filósofo Alain de Bottom diz em seu livro Notícias – Manual do usuário. “Como bem sabem os revolucionários, aquele que deseja mudar a mentalidade de um país não vai às galerias de arte, ao Ministério da Educação ou à casa de um romancista famoso; é preciso direcionar o ataque para o centro nervoso do organismo político, a redação das agências de notícias”.