Em tempos em que a tecnologia é considerada o ‘ser supremo’ acabou-se por perder pontos relevantes da vida como ser humano. O saber ouvir é um deles. A facilidade em dar a própria opinião perdeu-se num emaranhado de comentários e publicações de redes sociais como Twitter, Facebook e Instagram. O que gera uma enorme discussão filosófica e humanitária.

Há opiniões absurdas, há opiniões relevantes, de pessoas comuns, de grandes escritores, estudiosos, filósofos. A internet é agora um meio de comunicação que aproximou tudo de todos. Mas a grande dificuldade é a interpretação de texto e a análise do que está sendo dito. As vezes a opinião de um morador de uma pequena cidade carrega a verdade necessária, mas não é levado a sério, pois não possui fama ou porque não é considerado um grande estudioso. Outras vezes, uma pessoa com grande porte social expeli seu ponto de vista totalmente desnecessário, mas acaba sendo considerada uma grande ideia. Isso acontece porque socialmente estamos acostumados a dar valor a apenas quem tem fama. Mas fama não significa inteligência.

As bolhas de opinião se formam, ninguém quer ouvir ninguém, as pessoas se fecham no mundo próprio, cercando-se apenas do que é de seu interesse. Mas ver o outro lado, analisar o que não concordamos pode trazer novos pontos de vista, novas percepções que são necessárias para a construção de vida de cada ser. Um grande exemplo foram as manifestações que ocorreram no Brasil. As redes sociais serviram como um caldeirão que  cozinhou cada ideia. O país estava dividido entre esquerda e direita, onde ambos brincavam nas redes sociais com alfinetes. Qualquer matéria, mesmo que fora do contexto, era motivo de uma nova discussão. Mas havia ali opinião relevantes para os dois. O que falta então? A humildade em ouvir o próximo? A humildade em aceitar o erro? O ego que seria ferido? Porque não concordar com o meu ‘adversário’ que sim ele teve razão no que disse. E com isso aprender algo novo.

Com certeza é mais fácil ser agressivo nas palavras, não aceitar opiniões contrárias, não ler e interpretar novas ideias, do que dar o braço a torcer e aceitar que em algum ponto estou errado. Agressividade não é, nem de longe, sinônimo de inteligência. Um ser agressivo com suas opiniões não cresce e não desenvolve seu intelecto. As redes sociais, o turbilhão de comentários, são exemplos desse organismo vivo, que ebuli cada dia mais. Que tipo de seres humanos a sociedade, que alimenta-se a base de internet, está sendo formada? Como vai ser quando as crianças de hoje, que consomem esse mundo, crescerem?

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Antigamente os grandes filósofos sentavam embaixo de uma árvore e formavam rodas de conversas, suas leituras e ideias eram expostas e ali debatidas. Lógico que nem todo mundo concordava com o que era dito. E por isso o mundo está cheio de teorias, porque a dúvida é essencial, mas saber ouvir e debater ideias é ainda mais importante. É preciso estudar o outro lado para compreender o seu próprio.